segunda-feira, 20 de outubro de 2008

O PAMPA


Como são melancólicas e solenes, ao pino do sol, as vastas campinas que cingem as margens do Urguai e seus afluentes!Mais profunda parece aqui a solidão, e mais pavorosa, do que na imensidade dos mares.O viandante perdido na imensa planície, fca mais que isolada, fica opresso. Em torno dele faz-se o vácuo.O pampa é a pátria do tufão. Aí, nas estepes nuas, impera o rei dos ventos. Arroja-se o furação pelas vastas planícies.Ao pôr do sol perde o pampa os toques ardentes da luz meridiona. As grandes sombras desdobram-semlentamente pelo campo fora. É então que assenta perfeitamente na imensa planície o nome castelhano. A savana figura realmente um vasto lençol desfraldado por sobre a terra e elando a virgem natureza americana.No meio dessa profunda solidão, onde não hámguarida para defesa, nem sombra para abrigo, é preciso afrontar o deserto com intrepidez, sofrer as privações com paciência, e suprimir as distâncias pela velocidade.E nenhum ente é capaz de superar todos esses obstáculos como o homem, o gaúcho. De cada ser que povoa o deserto, toma ele o melhor; tem a velocidade da ema ou da corça, os brios do corcel e a veemência do touro.Nas margens do Uruguai, onde a civilização já babujou a virgindade primitiva desas regiões, perdeu o pampa seu belo nome americano. O gaúcho, habitante da savana, dá-lhe o nome de campanha.


JOSÉ DE ALENCAR

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